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Voltar19/10/2017

Porto de Santos será o primeiro do Brasil a ter modal hidroviário

Imagem Porto de Santos será o primeiro do Brasil a ter modal hidroviário

De acordo com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), falta pouco para a implantação do sistema hidroviário no Porto de Santos, primeiro do Brasil a ter esse tipo de modal. A Companhia já enviou o pedido para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e aguarda o aval do regramento para o projeto.

O anúncio foi feito pelo diretor de Relações com o Mercado e a Comunidade da Codesp, Cleveland Sampaio Lofrano, durante o 5º Hidrovia Já, evento realizado na AEAS em 17 de outubro, que contou com a presença de mais de 50 pessoas, entre representantes de empresas na área, consultores, especialistas e estudantes.

A rota inicial da hidrovia partirá da Usiminas, no canal de Piaçaguera, em Cubatão, até a Libra Terminais, na Ponta da Praia, em Santos. A ideia da Codesp é que no início, como atrativo, não haja cobrança aos terminais, mas a decisão depende da Antaq. "Com esse modal, os caminhões não precisarão mais entrar em Santos. O investimento também será muito baixo porque os locais já estão preparados para a implementação do sistema. A própria utilização do modal vai mostrar sua eficiência e atrair investidores para a realização de novas etapas", projeta Lofrano.

Atualmente, a distribuição modal no Brasil é de 60% rodoviário, 24% ferroviário, 14% hidroviário e 2% aéreo. Segundo o Ministério dos Transportes, o custo médio da construção de um quilômetro de hidrovia é de US$ 34 mil, contra US$ 440 mil de rodovia e US$ 1,4 milhão de ferrovia; sendo a vida útil de equipamentos e veículos estimados em 50 anos para hidrovia, 30 anos para ferrovia e apenas dez anos para rodovia.

"A logística está na pauta dos governos. Produtos podem variar até 200% no preço por causa da logística. É uma questão de competitividade, o país que não tiver uma boa logística vai ter muita dificuldade de sobreviver no mercado internacional", alerta o diretor de Portos da AEAS e idealizador do Seminário Hidrovia Já, Eduardo Lustoza.

Apesar da sinalização da Codesp, o engenheiro Rui Lopes, da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) e da Gelehrter Consultoria, não é tão otimista quanto à implantação do sistema hidroviário na Baixada Santista. 

"Há setores explicitamente contra o sistema hidroviário. Sabem que é uma solução muito interessante, mas nada é feito. Estive em uma reunião há três semanas em Bauru e um coordenador do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS, responsável pelo controle de operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica), disse que diminuirá os níveis das águas para priorizar a produção de energia elétrica. Essa medida afetará a Hidrovia Tietê-Paraná, e consequentemente, o Porto de Santos, pois sem a hidrovia, as cargas chegarão em caminhões", relaciona Lopes.

Em 2014, a navegação da Hidrovia Tietê-Paraná foi interrompida devido ao baixo nível do Rio Tietê e permaneceu parada por 20 meses. A legislação dá prioridade a utilização das águas para a eletricidade. Para evitar que a situação se repita e prejudique as operações logísticas no Porto de Santos, o presidente da AEAS, Ademar Salgosa Junior, colocou a entidade à disposição para elaboração de uma carta contrária à decisão da ONS, que garantiu manter o nível mínimo 325,4 metros até 30 de outubro.

Clique aqui e confira na íntegra a CARTA MOÇÃO DE COMUNHÃO HIDROVIÁRIA.

Clique aqui e confira todas as APRESENTAÇÕES do 5º Seminário Hidrovias Já. 

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