Sobre a AEAS

Anos Dourados

Anos Dourados

Uma requintada festa ao ar livre com a famosa orquestra Los Cubancheros, talvez seja a imagem que melhor simbolize os anos de ouro da AEAS. Os engenheiros e arquitetos reuniram-se naquela noite festiva de 1944 para se despedirem de parte da sede que dava frente para o mar, numa comemoração que representou o ponto culminante de um grande negócio imobiliário, altamente favorável à associação.

Para se entender a mágica de adquirir um valioso imóvel sem dispor de recursos, e ainda ficar com um bom dinheiro em caixa, é preciso voltar ao início da década de 40, ao final da segunda gestão do presidente Ismael Coelho de Souza, quando começaram os entendimentos para a compra da sede própria. O imóvel estava avaliado inicialmente em 450 contos de reis, muitas vezes o orçamento anual da entidade.

Sylvio Passarelli elegeu-se presidente para o biênio 1942/43 e incrementou as negociações com a City, proprietária do terreno de número 36 da Avenida Vicente de Carvalho, que concordou com a transação e concedeu uma opção de compra até 15 de janeiro de 1944. O preço definitivo foi fixado em 900 contos de reis. A associação tinha em caixa 25 contos.

Parecia impossível, mas, com muita imaginação e ótimos contatos, aquele grupo de fundadores inverteu as expectativas e conseguiu obter o mais surpreendente dos resultados, por Aníbal Martins Clemente. Saulo de Castro Bicudo e Frederico Câmara Neiva. Porém, houve problemas de contatos com o Clube de Engenharia e a comissão decidiu cancelar a viagem.

Ainda em 1948, a associação mobilizou-se na luta em apoio ao movimento dos engenheiros e médicos que trabalhavam para o Estado, a fim de ser fixado um salário mínimo para essas classes. Enquanto durou a campanha, foram realizados debates e assembleias gerais extraordinárias na sede.

Neste mesmo ano, a associação comprou um piano de cauda e promoveu várias noites de arte, enquanto dava sequência às conferências técnicas, incluindo entre os convidados os engenheiros Plínio de Queiroz. Prestes Maia e Oswaldo Correa Gonçalves.

Quando começaram os anos 50, a associação mantinha seu trabalho permanente de atualização e aprimoramento técnico, mas já se destacava na cidade por causa de suas agitadas promoções sociais. No balanço das atividades de 1950 foi enfatizada em ata a participação das mulheres e filhas dos associados, no estilo característico da época, concluindo dessa forma:

"Para indicar uma pálida idéia do que tem sido tão profícuo concurso, aí estão atletas os sucessos dos saraus dançantes, e das noites de arte e, também, os inúmeros melhoramentos conquistados pela sede social, sobressaindo a recentemente inaugurada Sala das Senhoras".

Novos desafios

Em 1952, o Conselho Diretor criou a Comissão de Conferências, presidido por Mário Lopes Leão, que logo depois promovia o Curso de Urbanismo - Serviço de Utilidade Pública, com cinco palestras, que foi reconhecido pela Universidade de São Paulo. A AEAS representava seus associados junto às repartições públicas e colaborava com o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura.

Em 1954, a sede passou por reformas e, por causa disso, o 17º aniversário de fundação teve que ser comemorado na boate do Parque Balneário. Enquanto isso, começou a ser publicada uma coluna no jornal A Tribuna, às quartas e sábados, intitulada Engenharia e inicialmente sob a responsabilidade de José Aflalo Filho, em nome da associação. A coluna mudou depois seu título para Engenharia e Arquitetura.

Quando comemorou seu 20º aniversário de fundação, em 1957, a associação tinha 256 sócios e promoveu uma série de eventos, incluindo uma palestra do engenheiro Bernardo Sanui, da IBM, sobre os revolucionários computadores eletrônicos.

Um ciclo de conferências foi realizado na sede e pelo menos duas delas mostraram que a associação estava sintonizada com os temas mais inovadores, antecipando o futuro. Na primeira. Marcelo Damy falou sobre Energia Atômica e, na segunda, Plínio de Queiroz, um dos fundadores da Cosipa, fez uma palestra sobre A siderurgia no desenvolvimento da região santista - A usina de Piaçaguera.

Um destaque especial, na época, cabe ao trabalho desenvolvido pela associação em torno das questões prioritárias ao crescimento de Santos, como, por exemplo, os debates sobre a municipalização dos serviços de água e esgoto.

Em 1959, o Centro de Estudos Saturnino de Brito (nova denominação da ex-Comissão de Conferências) encaminhou um estudo às prefeituras de Santos. São Vicente. Cubatão e Guarujá, resumindo as diversas reuniões de discussão do Plano Diretor da Baixada Santista.

Esse trabalho prosseguiu nos anos seguintes, deixando clara a preocupação da entidade com o planejamento da região e a necessidade de utilização da técnica na solução dos principais problemas urbanos.

Na definição de Hernâni Boto de Barros, um dos sócios-fundadores, a Associação de Engenheiros sempre foi "um grande fórum de debates para a discussão dos principais assuntos, sob a direção de homens progressistas".

É uma tarefa impossível relacionar todas as realizações da entidade (a partir de 9 de dezembro de 1975 passou a se chamar Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos) ao longo de sua existência.

Discutindo e intervindo na realidade do País, da região e de Santos, a associação nunca se afastou dos seus objetivos originais, que constam do Artigo 1º do estatuto, de "incentivar o progresso da Engenharia, congregar os seus profissionais dos mais diversos ramos, defender os interesses da classe e tomar toda e qualquer iniciativa de interesse geral de seus associados".

Mais de 75 anos após sua fundação, a AEAS continua no mesmo rumo, participando ativamente de importantes temas e apontando caminhos que levem a um país melhor, em todos os sentidos.